Tem um tipo de cansaço que não melhora com oito horas de sono.
É o cansaço de administrar a impressão que você causa.
Pensar se fulana vai achar ruim. Se sua mãe vai entender. Se o parceiro vai concordar. Se os filhos vão gostar. Se as amigas vão estranhar. Se alguém vai comentar. Se vão pensar que você mudou.
E, quando percebe, tem tanta gente participando das suas decisões que parece reunião de condomínio.
Só faltou a ata.
Ser querida é gostoso
Vamos começar pelo óbvio. É bom ser aceita. É bom receber aprovação. É bom perceber que as pessoas gostam da gente.
O problema começa quando evitar a desaprovação se torna mais importante do que perceber o que você quer. Aí você aceita o convite que não queria. Mantém a tradição de que não gosta.
Compra a roupa pensando se vão achar bonita. Continua sendo disponível porque sempre foi. Não fala o que pensa para não criar clima.
Diz “por mim, tanto faz” quando, na verdade, tanto faz porra nenhuma.
E vai ficando fácil conviver com você. Para todo mundo. Menos para você.
Tem gente que vai preferir a sua versão mais conveniente
Isso é meio desagradável de descobrir.
Quando você começa a colocar limites, algumas pessoas podem dizer que você mudou.
E talvez tenham razão. Talvez você tenha mudado. Talvez a versão anterior dissesse sim mais vezes. Talvez explicasse tudo. Talvez cedesse primeiro. Talvez aceitasse coisas que hoje já não aceita.
Para quem se beneficiava disso, sua mudança pode realmente parecer uma perda.
Só que o fato de alguém preferir a antiga você não significa que você precise voltar a ser aquela mulher.
Você não precisa ser compreendida por todo mundo
Essa talvez seja uma das liberdades mais difíceis. Tomar uma decisão sabendo que alguém vai interpretar errado. Escolher alguma coisa que sua família não escolheria.
Mudar de caminho. Querer uma vida que não impressiona as pessoas que você conhece.
E não montar uma defesa de 14 páginas explicando por quê.
Algumas pessoas vão entender você pela metade. Outras vão enxergar sua escolha a partir da própria história. Algumas simplesmente não vão entender.
E tudo bem.
Sua vida não precisa fazer sentido para todo mundo para fazer sentido para você.
Só cuidado para não transformar isso em outro extremo
Não estou propondo aquela filosofia meio adolescente de:
“Não ligo para o que ninguém pensa.”
A gente liga. Somos humanas.
E a opinião de pessoas que amamos pode ser importante.
Às vezes alguém de fora enxerga uma coisa que não estamos conseguindo ver.
A diferença está entre considerar uma opinião e entregar a decisão.
Você pode ouvir. Pensar. Discordar. Agradecer. E continuar fazendo diferente.
Talvez valha diminuir a plateia
Antes de decidir alguma coisa, experimente tirar mentalmente algumas pessoas da sala.
Sua mãe saiu. A vizinha saiu. Aquela amiga saiu. A internet saiu.
A pessoa que sempre tem opinião sobre tudo também saiu — graças a Deus.
Agora ficou você. O que sobra?
Talvez você descubra que algumas decisões eram muito mais simples antes de cinquenta pessoas imaginárias começarem a votar.
Você não precisa se tornar desagradável para parar de agradar todo mundo.
Pode continuar sendo gentil. Generosa. Atenciosa. Só não precisa pagar por isso com a própria vida.
Porque existe uma diferença enorme entre ser uma pessoa boa e viver permanentemente tentando ser bem avaliada.
E talvez você esteja cansada não porque está fazendo coisas demais.
Talvez esteja tentando manter gente demais satisfeita ao mesmo tempo.
Isso, mulher, não tem agenda que resolva.

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